Lição 1: Nominativo

São introduzidos os conceitos já no início da lição 1:

  • oração
  • sujeito
  • vocativo
  • adjunto adnominal restritivo
  • objeto indireto
  • adjunto adverbial
  • objeto direto

Como um bom curioso, decidi destrinçar o que é cada um. Começo pela oração (oratio ) cujo significado é discurso, fala. Porém, na gramática, sua definição é mais precisa: é oração uma unidade sintática organizada em torno de um verbo ou locução verbal.

Não consigo estudar sem esmiuçar “os diabos nas entrelinhas”, o que é um saco, mas funciona. Unidade sintática, verbo e locução verbal são agora novos termos. Se antes tinha eu de entender os seis (+1) elementos apresentados no início da lição, agora terei dez elementos. Retorno à oração por via da questão: Que é unidade sintática? Unidade pode ser qualidade de ser único ou a harmonia de um todo. A sintática é a relação lógica entre as palavras. Logo, oração é um conjunto de palavras logicamente ordenadas contendo necessariamente um verbo, a qual se comporta como um único elemento funcional.

Tudo bem, agora entendo oração como uma frase funcional que contém um verbo. Mas o que é verbo? Vem do latim verbum que significa palavra. Gramaticalmente, o verbo é a palavra variável que exprime existência, estado ou ação: correr (ação), ser (estado), tornar-se (mudança de estado), nevar (fenômeno da natureza) e (existência). Isso me faz entender que sem um verbo não há como fazer afirmações, e por isso uma oração só existe se houver uma unidade sintática organizada em torno de um verbo ou locução verbal.

Puts… me esqueci da locução verbal. Após uma rápida pesquisa, entendi que é locução verbal, dois verbos juntos comportando-se como um único verbo. Exemplo: vou jogar. Finalmente terminei de entender o que é oração, e não mais aquele entendimento intuitivo, que engana nosso ego.

Falta ainda verificar o que é sujeito

Napoleão M. de Almeida afirma ser sujeito o agente da ação verbal. Pesquisando além do livro, deparei-me com a voz ativa e a voz passiva.

Recordo-me delas na época do colégio, mas nunca dei muita atenção, assim como para oração, verbo e locução verbal. Entendia esses conceitos de forma superficial e tomava-me por sabido; mal eu sabia haver detalhes que, se mal compreendidos, geram confusões escaláveis – sou agente e vítima dessa “bola de neve”.

Retorno à voz ativa e passiva. São elas importantes, veja:

O vento quebrou a xícara.

É o vento sujeito e agente dessa oração, afinal, quem quebrou a xícara? O vento. Então, aqui o sujeito é como disse o prof. Napoleão, “o agente da ação verbal”. Agora note:

A xícara foi quebrada pelo vento

É a xícara o sujeito, e vento o agente. Seguindo a definição do prof. Napoleão — usada, creio eu, para facilitar o entendimento inicial — se sujeito é o agente da ação verbal, logo em “A xícara foi quebrada pelo vento” o sujeito seria vento (o que está incorreto). Portanto, é sujeito o termo que concorda com o verbo, participando de forma ativa (agente) ou passiva da ação verbal.

Não quis parar por aqui. Após dormir e retornar a esse texto, deparei-me com uma questão que surgiu após escrever o que havia entendido, e encontrei lacunas.

Para mim, estava claro assim: na primeira frase, o sujeito é ativo (agente); na segunda, é passivo, sendo vento o agente da passiva. Mas… ainda está vago – o conhecimento intuitivo é uma verdadeira armadilha. O termo ‘passivo’ atribuído ao sujeito é uma qualidade ou estado, e não uma definição; o correto é sujeito paciente.

Calma, não acabei ainda… por que agente da passiva? Aqui está mais um exemplo do conhecimento vago, enganoso. Deduzi que o agente da passiva assim é chamado, pois ele concorda com o verbo, mas na verdade ele nunca concorda com o verbo. Quem concorda com o verbo é sempre o sujeito.

Então, por que raios da passiva e não outra coisa?

Após superar explicações confusas – não por serem de fato, mas por minhas dificuldades gramaticais – compreendi: usa-se agente da passiva porque o agente pertence à estrutura passiva. Ao usar, ‘da’ implica posse. E passiva é a qualidade da frase, de ser uma frase onde o sujeito é passivo, ou melhor, paciente. Então ele [agente da passiva] é um agente que só existe, sintaticamente, numa oração onde o sujeito é paciente.

Aqui já compreendo o objetivo primeiro da lição 1: entender o que é sujeito. Porém, seria negligente por aqui parar. Há que se ter também o entendimento do que é elemento. Repetindo a frase em minha mente para que dela não me esqueça: é elemento “a função que a palavra exerce na oração”. São eles: a função do sujeito, a função do vocativo, a função do adjunto adnominal restritivo, a função do objeto indireto, a função do adjunto adverbial e a função do objeto direto. Para além disso, existe também caso que “é a maneira de escrever a palavra em latim de acordo com a função que ela exerce na oração”, sendo distinguidos pela terminação.

No português, a terminação indica se é plural ou singular, masculino ou feminino, etc. No latim, indica a função. Sempre que o final é alterado em uma palavra do latim, ela torna-se um elemento (função) diferente, ou um caso diferente. Entender isso nos faz entender que, enquanto o sujeito é um elemento, classe ou função gramatical no português, o nominativo é o elemento, função ou caso do latim equivalente.


Questionário

1 — Quantos elementos podemos encontrar numa oração?

Em uma oração, podemos encontrar 6 elementos.

2 — Quais são os elementos que podemos encontrar numa oração?

  • Sujeito
  • Adjunto adnominal restritivo
  • Adjunto adverbial
  • Objeto direto
  • Objeto indireto
  • Vocativo

A minha dúvida era, o uso de “podemos” na pergunta implica possibilidade? Se sim, listar “verbo” na resposta seria incorreto, pois só existe oração se tiver um verbo, já os demais listados podem ou não estar na oração.

3 — Que é sujeito?

É sujeito o termo com o qual o verbo concorda, podendo ser agente (verbo na voz ativa) ou paciente (verbo na voz passiva).

Essa questão teve de mim varias respostas até que, creio eu, de fato entendi que é sujeito. Entre as tentativas descobri ser a voz ativa ou a voz passiva uma construção ou característica do verbo. Outro aprendizado foi que é o verbo quem concorda com o sujeito. Concordando em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª pessoa), pois é o verbo que ajusta-se às características do sujeito. O sujeito que “manda” no verbo.

4 — Como se descobre o sujeito de uma oração?

Perguntando: que ou quem + verbo. Exemplo que ou quem voou?

5 — Construa 5 orações e ponha um traço debaixo do sujeito.

  1. O carregador carrega as pilhas.
  2. As pilhas são carregadas pelo carregador.
  3. [Eu] Estudo gramática pelo livro do prof. Napoleão.
  4. Essas questões são úteis a mim.
  5. Estudar é memorizar e entender.

6 — Indique onde está o sujeito das seguintes orações:

  1. A filosofia é a ciência de todas as coisas.
  2. O fundamento da justiça é a fé.
  3. O autor desse livro é Pedro.
  4. De todas as coisas, a mais eficiente é o bom humor.
  5. É necessária a moderação.
  6. Nesse lugar foi encontrado um esqueleto.
  7. São caducas as riquezas.
  8. Nesse ano o rei morreu.

Tive uma duvida que me perturbou. Seria o sujeito composto pelo artigo e o substantivo (classe de palavras que nomeia seres, lugares, etc.) ou apenas o substantivo? A resposta é: o sujeito ou sintagma nominal é o artigo e adjetivo(s) + o substantivo, sendo o substantivo o núcleo do sujeito e esse é que vai para o nominativo. Exemplo: O rei verde morreu. O sujeito é “o rei verde”, sendo “o” artigo, “rei” substantivo e “verde” adjetivo. Que em latim fica: Rēx viridis periit. A palavra rēx que é rei e está no caso nominativo singular. O adjetivo viridis concorda com rēx em gênero masculino, número singular e caso nominativo. O verbo periit (de pereo, “perecer”, “morrer”) está na 3ª pessoa do singular do perfeito do indicativo, concordando com o sujeito “o rei verde”. A parte da tradução e explicação do latim pedi ajuda a uma ou duas IAs, mas o que entendi é, quando o sujeito é traduzido para o latim, o artigo some, pois não há termos específicos correspondentes a função do artigo. E a função é de definir ou indefinir o substantivo. Exemplo: Feche “a” porta. O artigo “a” especifica uma porta específica, se não tivesse o “a” a frase tornar-se-ia genérica ou indeterminada, veja: Feche porta. Qual porta? Aquela. Note que causa um ruido, um incomodo, quando não se usa um artigo definido. Porventura, se for o intuito generalizar que qual porta seja fechada, então fica melhor usar o artigo indefinido, veja: Feche uma porta. Qual? Qualquer uma.

7 — Em latim, quantas funções podem desempenhar as palavras?

Uma palavra em latim pode desempenhar 6 funções.

8 — Que é caso?

Caso é a função que uma palavra desempenha na frase.

9 — Quantos casos existem em latim?

Existem 6 casos em latim.

10 — Cada caso em latim tem nome especial?

Sim, cada caso possui um nome especial

11 — Como se distinguem os casos em latim?

Pela terminação.

12 — Conhece o nome de algum caso latino?

Sim, apesar de não pedir “quais eu conheço”, os que conheço são: nominativo, vocativo, ablativo, genitivo e dativo. O outro não me lembro.

Aqui sou tomado por uma reflexão filosófica: quão sutil é a distinção de não saber e esquecer?

13 — Quando uma palavra exerce na oração a função de sujeito, em que caso deve estar no latim?

Deve estar no caso nominativo.

14 — Qual a função do nominativo?

A função do nominativo é indicar o sujeito na oração.

Essa pergunta é muito difícil, eu errei algumas vezes até acertar, uma dessas tentativas me ajudou na questão 3. Um resumo do que aprendi por conta da questão: o sujeito não tem por função ser paciente ou agente, isso é a posição semântica (de significado) do sujeito. A função do sujeito é fazer o verbo concordar com ele. E o nominativo indica o sujeito na oração.

15 — Nas seguintes orações, quais as palavras que devem ir para o nominativo? (Proceda como na pergunta 6):

  1. O filho do vizinho estudou.
  2. O sol sempre ilumina a terra.
  3. A terra é iluminada pelo sol.
  4. Nem sempre a lua ilumina a terra durante a noite.
  5. O sol tem luz própria, ao passo que a lua não tem.
  6. A fonética constitui a primeira parte da gramática.
  7. O nominativo indica o sujeito da oração.
  8. O sujeito de uma oração vai em latim para o caso nominativo.
  9. Procede mal o aluno que pretende acertar as respostas do questionário sem antes ter estudado bem a lição..