Lição 2: Vocativo

Para além da explicação do professor — que, por sinal, me fez ver o vocativo como simples —, pesquisei um pouco mais sobre ele, e o que descobri me revelou estruturas da oração bem mais complexas do que creio ter pretendido o professor expressar nessa lição.

Uma oração é, como visto na lição 1, uma unidade sintática organizada em torno de um verbo ou locução verbal. Já o vocativo não pertence à oração principal, pois não faz parte da unidade sintática, nem do verbo ou da locução verbal. A função única do vocativo é chamar, interpelar ou nomear o interlocutor. É um desvio do discurso para dirigir-se a alguém, podendo ser removido da frase sem que a estrutura gramatical básica seja afetada. Exemplos:

  1. Quando o vocativo “revela” o Sujeito
  • Maria, venha aqui.”
    • Oração: (Você) venha aqui.
    • O vocativo “Maria” esclarece quem é o “você” implícito no verbo.

Nesse caso, o vocativo revela a pessoa com quem se fala (2ª pessoa), apesar de não ser essa a sua função, agindo apenas como um fofoqueiro.

  1. Quando é redudante
  • Senhor, o senhor poderia me informar as horas?

Nessa frase, o vocativo pode ser removido sem a menor perda de clareza, mas nem sempre queremos apenas clareza, por vezes temos objetivos a mais com as frases.

  1. O Vocativo na Terceira Pessoa
  • Senhora, aceitas um café?

Essa frase causou-me um tremendo desamparo racional: o termo “Senhora” está na terceira pessoa do singular. Para que fosse a segunda pessoa, dever-se-ia ter dito “tu” ou “você”, como fizemos antes. Apesar de quem fala falar diretamente com a pessoa, usa-se de uma linguagem em terceira pessoa. Ora, agora me parece claro o porquê de usar-se Senhor e Senhora como sinal de respeito, pois, apesar de tratar diretamente para com o Senhor ou a Senhora, o faz como que indiretamente.

  1. Figura de linguagem
  • Ó, pátria amada, idolatra da nação!”
  1. Ausente, mas Implícito
  • Psiu!

A interjeição sozinha funciona como um chamamento; o vocativo está subentendido.

  1. Xingamento ou Elogio
  • Cale a boca, idiota!
  • Parabéns, campeão!
  1. Isolado (Não há oração principal junto)
  • Entre!
  • Paulo!

Para além disso, aprendi mais algumas coisas. Aprendi que uma oração também pode ser simplificada por dois termos e um conectivo: Sujeito + Predicado.Ora, o que é predicado? Essa pergunta tomou-me um bom tempo, pois entendi que predicado é toda a parte da oração que não é o sujeito, mas que isso é uma forma vulgar de dizer:

O Predicado é o centro funcional da oração. Exceto pelo sujeito, todos os demais termos sintáticos da oração residem dentro do Predicado. E tem ele por função declarar algo sobre o sujeito.

Não parei por aí; quis saber o que podemos encontrar dentro do predicado…

O verbo é a espinha dorsal do predicado. A natureza do verbo determina a classificação e os elementos subsequentes do predicado. A natureza é se é verbo de ligação, transitivo ou intransitivo. Mas, como já li até a lição 4, deixo a respeito disso para o futuro. Por ora, apenas quero listar os termos que podem estar no predicado:

I. Termos Integrantes (Exigidos pelo verbo): Objeto Direto, Objeto Indireto, Complemento Nominal, Agente da Passiva e Predicativo. II. Termos Acessórios (Enriquecem o Sentido): Adjunto Adverbial, Adjunto Adnominal e Aposto.

Então, em uma oração eu encontro:

  • Sujeito:
    • Núcleo: Substantivo ou Pronome (e.g. eu, tu, isso).
    • Adjunto Adnominal: Artigo e Adjetivo.
  • Predicado: Termos exigidos ou acessórios para o verbo.

Lição 2.1 Genitivo

Começa Napoleão apresentando o termo adjunto adnominal restritivo. Como quem susurra, minha inquietude perguntou: que vem a ser adjunto e adnominal? E o que encontrei me agradou.

A palavra “adjunto” deriva do Latim adiunctus, particípio — forma nominal do verbo que indica uma ação concluída — passado de adiungĕre (juntar junto, ligar, acrescentar).

Aqui tenho muita informação para trabalhar: particípio, nominal.

Particípio é quando o verbo deixa sua função puramente verbal e assume características de adjetivo ou substantivo. Exemplo: Se eu fecho a porta, então ela está fechada. O termo fechada está no particípio, uma ação concluída, portanto não mais uma ação em curso, mas um estado.

Nominal refere-se a nome, que em gramática é o termo geral para substantivos e adjetivos. Ou seja, nominais são os termos em oposição ao verbo.

Voltando a adjunto, e indo para sua função: é um elemento que acrescenta informação.

Agora, sobre “Adnominal”, começarei por seu papel, o qual define onde o adjunto se conecta na oração.

  1. Ad-: junto de; em direção a; próximo.
  2. Nomen: nome; substantivo.

Se é o “Adnominal” que define a que o adjunto se conecta, então ele se conecta ao nome. Portanto, o “Adjunto Adnominal Restritivo” é um complemento ligado ao substantivo, que o restringe. Exemplo: “Tenho uma casa de barro”.

Diz no livro que vem sempre acompanhado de preposição “de” o adjunto adnominal restritivo, e me pergunto: será? Então notei que não; na frase “Eu vi os dois gatos pretos”, as palavras “dois” e “pretos” restringem o universo de gatos.


QUESTIONÁRIO

1 — Qual é o segundo elemento que nós podemos encontrar numa oração?

O segundo elemento é o Vocativo.

2 — Qual é a função do vocativo?

Tem por função, fazer um apelo, um chamado, de forma interpolada na oração

3 — Quantas posições pode ocupar na oração o vocativo?

Em uma oração, pode-se o vocativo ter três posições.

4 — Qual a pontuação que o vocativo sempre exige?

Exige a virgula, antes e/ou depois.

5 — Construa três orações diferentes em que haja vocativo. Na 1.ª oração coloque o vocativo no começo; na 2.ª no meio; na 3.ª no fim.

  • Filho, saia da chuva.
  • Quero, mãe, o feijão.
  • Ontem nada escrevi, João.

6 — A simples pontuação pode indicar o vocativo? Por quê?

Sim, conforme palavras do professor, pois o vocativo vem acompanhado por vírgulas. Além disso, aprendi que o vocativo é uma interpolação na oração, que dela não faz parte a princípio, sendo um elemento à parte da oração principal. A vírgula evita confusões e proporciona melhor entendimento de sua função na frase, principalmente quando pode ser confundido com o sujeito.

7 — Qual é o terceiro elemento que uma oração pode apresentar?

O adjunto adnominal restritivo.

8 — Que é adjunto adnominal restritivo? Que idéia quase sempre encerra?

É o termo que complementa restringindo o substantivo. Quase sempre encerra a ideia de posse.

9 — Redija três orações em que haja adjunto adnominal restritivo.

  • Comprei um relógio analógico.
  • Bebo aguá na garrafa verde.
  • O cavalo branco de Napoleão.

10 — Qual é a preposição que em português sempre antecede o adjunto adnominal restritivo?

Segundo o livro, é a preposição de.

11 — O adjunto adnominal restritivo em português para que caso vai em latim?

Vai para o caso genitivo

12 — O genitivo latino como se traduz em português?

Traduz-se pelo adjunto adnominal restritivo e, quando necessário, vem acompanhado da preposição correspondente em português.

13 — Diga para que caso devem ir as palavras grifadas (*) das seguintes frases:

  1. Os soldados defendem a pátria.

    • Nominativo
  2. Soldados, defendei a pátria.

    • Vocativo
  3. O menino quebrou a perna.

    • Nominativo
  4. Ó menino, não escreva dessa forma.

    • Vocativo
  5. João, seu mano já voltou?

  • Vocativo; Nominativo
  1. Seu mano João já voltou?.

    • Nominativo
  2. Pedrinho não vai ao cinema, Maria?

    • Nominativo; Vocativo
  3. Por que Maria não quer brincar?

    • Nominativo
  4. Por que, Maria, você não quer brincar?

  • Vocativo
  1. A casa de meu amigo vai ser desapropriada.

    • Nominativo; Genitivo
  2. Você viu, maninho, como a lição do professor foi instrutiva?

  • Vocativo; Nominativo; Genitivo.
  1. Nem sempre as árvores altas têm grande quantidade de galhos.

    • Nominativo
  2. Homem de pouca fé, por que deixou seus filhos sem a luz da ciência?

    • Vocativo; Genitivo
  3. João, que é feito do anel de sua irmãzinha?

    • Vocativo; Genitivo